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dimanche 7 décembre 2014

summer job ... ah, o verao de 2008

.... Uma das coisas que o enfermeiro estrangeiro mais quer quando chega ao Québec é receber a resposta da OIIQ dizendo que ele pode começar os trâmites para conseguir vaga num curso de integraçao ou no estagio.
E isso eu consegui depois de UM ANO (!!!) de Canada. Meu processo estava encaminhado desde minha saida do Brasil, mas a USP cometeu um erro grosseiro na documentaçao, que me rendeu meses e meses de espera suplementar.

Quando a resposta saiu, eu fui procurar o CEGEP mais perto de casa, o CVM (Cegep du Vieux Montréal = infos sobre o programa AQUI (AEC - CVM) .

Fiz a prova, fiz a entrevista. E ... fui aprovada para a sessao de outono-2008! (estavamos em maio, se nao me engano rs ... faz tanto tempo ...) .

Nesse meio tempo, vi um anuncio no Jornal metro para **enfermeiros** no Club Med. Apliquei, de alegre. Para os interessados, informaçoes sobre ser enfermeira no Club aqui = nurse @ ClubMed

E depois de um processo interessante que incluiu entrevista telefônica, dinâmica de grupo dançando crazy signs e entrevista individual em francês, inglês e espanhol (UFA!), fui aprovada!

Meu local de trabalho = Punta Cana!
Meu contrato = 6 meses

OPS!!

Fui ao CVM, convenci a diretora a me deixar começar o AEC com a turma do hiver-2009 (janeiro), pois teria assim condiçoes de cumprir o contrato e juntar uma graninha (a essa altura do campeonato, as reservas que trouxe ja haviam desaparecido rs ... dica da tia = traga mais $$ do que recomendam!)

Tudo acertado com o Cegep, hora de encarar 6 meses no Caribe. 

Nao sabia o que esperar, estava aberta aos desafios.

E tive alguns!

Enfermeiros no Club Med sao também *GO* (gentils organisateurs) entao eu deveria seguir o protocolo padrao : sentar com GM (gentils membres, os hospedes), cantar e dançar os crazy signs, participar das atividades sociais, usar a camiseta do dia (cada dia é uma cor de camiseta, recebemos todas quando chegamos, é o *uniforme*) e afins.

Mas, tudo isso, sendo enfermeira! Meus horarios de clinica eram das 8 às 12 e depois das 15 às 18. Mas ficava disponivel entre 12 e 15 e depois ficavamos de sobreaviso para o periodo da noite em dias alternados (eramos 2 enfermeiras). Recebi telefonemas às 3 da manha sobre GM reclamando de dor de cabeça (e dai nao basta dar um Tylenol, devemos avaliar e decidir se chamamos ou nao o médico). Recebi casos de desidrataçao infantil e diarréia do viajante (vaaaaarios casos). Varios casos de otites, queimaduras solares, queimaduras apos contato com agua viva, entorses ... até uma crise histérica e um caso de intoxicaçao alcoolica passaram pelo meu caminho ... Fazia também a parte de educaçao e prevençao com os outros GO, nos modulos de RCR e salvamento. Sem contar com a parte burocratica, controle de agua, relatorio de casos de diarréia para a Central, descriçao de acidentes mais sérios, etc.

Era pauleira! As atividades de GO terminavam por volta da meia noite. Os chamados no meio da madrugada eram frequentes, alguns eram resolvidos por telefone, outros exigiam a nossa presença e a do médico na enfermaria (eu ia de bicicleta, imaginem atravessar o Village!). Tive alguns (poucos, felizmente) casos de hospitalizaçao.

Dormia pouco, trabalhava muito. Tinha 1 dia de folga na semana, aproveitei para conhecer a Republica Dominicana (GO podem participar das excursoes de graça, oferecem 1 ou 2 lugares por grupo. Fiz 3 excursoes, foi bem legal). Enfim, foi **toute une expérience**

O Village em Punta Cana é bem grande =
source http://www.clubmed.us/img/evenementiel/115/3D-maps/image/Food-Wine-Festival-Punta-Cana-3Dmapx600.jpg

O lugar, paradisiaco (deve ser otimo ser GM rsrsrsrsrs)
source http://www.tnetnoc.com/hotelphotos/030/84030/2631759-Club-Med-Punta-Cana-All-Inclusive-Hotel-Exterior-3-DEF.jpg

Essa era mais ou menos a vista da enfermaria (nao viamos quase nada, ja que ficavamos a maior parte do tempo nas cabines de tratamento rs)
source https://farm4.staticflickr.com/3210/4564247298_027a5b132b_b.jpg

Eu dividia um alojamento com outra GO. Cada uma possuia seu proprio quarto, com cama, escrivaninha, armario, espelho e uma pia. Do lado de fora, um banheiro e uma ducha. Os GO possuem uma lavanderia e podiamos comprar alguns itens pessoais na lojinha do Club (fazendo *fiado*, como antigamente ... meu salario foi depositado so ao término do meu contrato, mas isso nao é a pratica comum, normalmente eles pagam mensalmente).

As acomodaçoes sao parecidas com essa aqui =
source https://encrypted-tbn3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSYMRr53Crt2NPNFyh6RlLbSh-_wFymSEW9giMbkQw_skzPcc_j

O que eu mais curtia era ficar de bobeira  na praia entre 12h e 15h, o que raramente acontecia, sempre um chamado nos obrigada a voltar para a enfermaria ... mas era tao bom rs. GO nao ficavam na mesma area que os GM, eu ia para um canto mais afastado, perto do spa, onde as européias aproveitavam para fazer topless. Essa é a praia privativa do Club. Nada mal, né?
source http://www.thetravelmagazine.net/I/img_big/08122008101428.jpg


Estava trabalhando muito (muito mesmo!), mas estava me divertindo também, entao estava Ok e considerando ficar até o fim de ano, mas naquele 2008 a tempestade Bertha foi forte 
Bertha 2008 e o Club sofreu bastante. No fim da estaçao de verao, entre ir para o México ou voltar para Montreal, optei por voltar para Montréal.

Era AGOSTO e a turma no CVM começaria em setembro ... La fui conversar com a diretora do Cegep e pedir para que reconsiderasse meu pedido e me aceitasse de volta na turma de outono, onde originalmente havia sido aprovada.

Ela aceitou, consegui começar o AEC em 2008 e o resto .... bem, o resto esta no blog, as experiências como enfermeira no QC estao identificadas com a tag *saga* :-)

Foi minha primeira e unica experiência de summer job. Foi valido, mas nao repetiria ! Até hoje (2014!) quando escuto uma das musiquinhas do crazy signs, lembro da coreografia e me da uns **trimiliques**, pareço os cachorros do Pavlov ... ;-)

Experiências e viagens, nunca esquecerei minha curta passagem no Club Med. :-) Ah, o pao com chocolate branco era di-vi-no, come-se muito bem no Club. ....


source http://www.clubmed.ca/2010/img/115/events/Nike-Junior-Tour/Punta-Cana-2009/crazy-signs.JPG


samedi 22 novembre 2014

enfermagem no QC, quem é quem na fila do pao, capitulo 2 (post em português)

Poxa, me surpreendi com o post anterior! Às vezes sinto que escrevo para as moscas virtuais, entao é bom ter um retorno (+) de um post :-) Obrigada, **varios** leitores!

Entao quem leu o post anterior, sabe que a base da enfermagem é composta pelos PAB (que nao fazem parte *oficialmente* da profissao de enfermagem - coisas confusas do QC, acostumem-se) e os IA, esses sim fazendo parte da categoria de enfermagem e tendo até ordem profissional propria, a OIIAQ. Ha ainda os enfermeiros (DEC e BAC) com formaçao CEGEP e universitaria, respectivamente.

Enfermagem é uma profissao com ramificaçao universitaria, entao o acesso aos estudos superiores é garantido para os bachareis. E quais sao as diferenças?

O mestrado é dividido em algumas categorias, o estudante pode optar pelo mestrado classico, nas modalidades mémoire ou stage-essai. Pode ainda optar pelo mestrado profissional (mestrado + DESS) e embarcar na aventura IPS (infirmière praticienne spécialisée).

Ja repararam a sopa de letrinhas ? Preparem-se, isso vai piorar.

 Mestrados sao obtidos em geral com 2 anos à temps plein. Algumas universidades oferecem microprogramas e DESS (diploma de estudos superiores especializados), que podem ser acumulados para a obtençao do grau de mestre. Essa é a parte **classica**. (Consulte o site da universidade de sua escolha para se informar sobre os diferentes programas!).

No ramo da **pratica avançada de enfermagem (PIA - pratique infirmière avancée)** estao as ICS e  as IPS.

IC-quem ? IP-quoi ?

ICS - infirmière clinicienne spécialisée
IPS - infirmière praticienne spécialisée

O titulo de IPS é obtido apos exame de certificaçao, e a formaçao inclui o mestrado classico + o DESS como IPS. Sao 2 anos de estudos à temps *mais que* plein. IPS assumem algumas atribuiçoes anteriormente exclusivas aos médicos, como a definiçao de um plano de tratamento e o diagnostico. Por questao burocratica, no QC a palavra **diagnostico** nao pode ser usada pelas IPS, que usam termos como **impressao** ou **hipotese**. Firulinhas, firulinhas ...
Uma IPS pode acompanhar a clientela do começo ao fim da vida, atuando do pré-parto aos cuidados paliativos. No Québec ainda sao menos de 400, mas em Ontario ja sao mais de 1300, la elas conseguiram um grande apoio dos ministros e do sistema, e atualmente ha até clinicas administradas apenas por IPS. (o blog tem 2 anos de material sobre IPS, se o assunto despertou interesse, vale a pena ler alguns posts antigos!).

ICS, por sua vez, nao precisam passar por exame de certificaçao, essa profissao esta constantemente na *corda bamba*, a associaçao de enfermeiros do Canada (AIIC) e a OIIQ volta e meia publicam artigos e memorias sobre a otimizaçao e valorizaçao desse rôle , como nesse texto, por exemplo = ICS - renforcer le rôle .  ICS nao prescrevem e nao *diagnosticam*. Elas têm enfoque na pratica de enfermagem e deveriam agir prioritariamente na parte clinica. Mas as funçoes administrativas e outros elementos de cuidados indiretos acabam reduzindo o tempo de pratica dessas profissionais. É bem complicado!

Nem todas enfermeiras que finalizam o mestrado classico serao ICS! O mercado dita as regras, e algumas terao funçoes como *cadre-conseil*, *infirmière-expert*, *gestionnaire de cas*, etc.

Ha um grande projeto de reestruturaçao dos programas de mestrado classico = a ideia seria ter um volet que direcionaria o enfermeiro para as funçoes mais administrativas como as citadas acima, outro para a formaçao ICS, incluindo cursos como fisiopatologia e farmacologia. A formaçao IPS se manteria nos moldes atuais (embora eu, humildemente, ache que deveriamos ter 2 anos e meio ou mesmo 3 anos para concluirmos o mestrado IPS! Temos o mestrado classico MAIS o DESS e isso, SIMULTANEAMENTE! = é para queimar muito neurônio!)

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O mestrado, seja o classico, seja o IPS, é o pré-requisito para o doutorado.

Doutorado .... o que falar do doutorado ??? Doutorado é aquela coisa de doido, né? Cinco anos (no minimo!) e o desenvolvimento de uma tese inédita sobre um tema pertinente. Admiro muito quem segue carreira acadêmica, é uma montanha-russa! Ha a obrigaçao de publicaçoes, participaçoes em congressos, aulas ... é uma verdadeira selva, super competitivo!

Aos interessados, ha bolsas para quem segue em carreira acadêmica, ja que nao da para sobreviver apenas com a ajuda do prêt-et-bourse. Algumas sao bem bacanas, mas é, de novo, um mundo muito competitivo.

Quem termina o doutorado pode conseguir vaga de professor em universidade, ou cargos de direçao em hospitais, nas agências de saude e mesmo no ministério. Ou pode simplesmente decidir a continuar estudando e seguir um pos-doc ....

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Enfermagem é uma ciência e uma arte. Por isso a formaçao acadêmica existe. Felizmente ha enfermeiros desbravadores que seguem para o doutorado! Os doutores em enfermagem sao fundamentais para manter a qualidade e o saber proprio da profissao, avançando com suas teorias e mantendo a chama acesa. Os mestres sao importantissimos, a PIA é um avanço na maneira de gerenciar o sistema de saude, descentralizando o poder e otimizando os recursos. E os que assumem funçao na gestao levam o saber enfermagem para a administraçao, beneficiando o paciente no fim da linha.

Ha espaço para todo mundo! PAB, IA, Infirmier, Infirmière clinicienne, cadre-conseil, ICS, IPS e PhD. Felizmente! :- )


Espero que tenham gostado dessa **saga 2** .

À la prochaine!










jeudi 20 novembre 2014

enfermagem no QC, quem é quem na fila do pao .... capitulo 1 (post em português)

Zapeando na net, vi o video da Mandy (aqui =  blog da Mandy ) e numa parte ela fala sobre a enfermagem e cita um exemplo do *enfermeiro clinico*. Pela explicaçao (aos 17 minutos, para quem achar o video longo rs) parece que ser *enfermeiro clinico* é uma especializaçao. O que nao é bem o caso.

Entao, o objetivo desse post é elucidar meus 2 leitores (kkkkkk) sobre a hierarquia e as diferentes profissoes dentro da grande area da enfermagem. Preparados ?


source https://www.youtube.com/watch?v=NRaQSS4XnzU


Digo e repito, **enfermagem aqui no Québec é basicamente assistencial**. Meus posts insistem nessa tecla, pois muitos podem ficar decepcionados com as funçoes, achando que enfermeiro sera automaticamente (ou muito rapidamente, como acontecia no Brasil na minha época) gestor ou coordenador de unidade ... Nao é bem assim!

Dentro da assistência, ha diferentes niveis e diferentes profissionais envolvidos. E vamos tentar desenrolar esse novelo .... 


1 = PAB (préposé aux bénéficiaires)

É uma especie de *atendente de enfermagem*, misturado com *auxiliar de enfermagem* depois da lei 90. A Lei 90 surgiu no começo dos anos 2000 e abriu o leque de opçoes para os profissionais da area da saude. Ela autoriza que PAB e IA (infirmier auxiliaire) mediante formaçao especifica executem tarefas antes exclusivas aos enfermeiros. 
O que esta incluido na lista da lei 90 ? Você encontra aqui = loi 90 (site da OIIQ)

Entao, o que faz um PAB ? Grosso modo, ele se ocupa de cuidados de base : higiene, ajuda na hora da alimentaçao, ajuda nos transportes, supervisao da segurança e condiçoes de integridade do paciente e garante uma assistencia fisica. Essa é a parte mais parecida com a dos antigos *atendentes*. A Oniraci colocou um post super legal sobre sua rotina como PAB, ela que é enfermeira e esta fazendo o AEC de equivalência ( blog da Oniraci ).

Com a lei 90, e em condiçoes bem especificas, o PAB pode administrar medicamentos (comprimidos, cremes, aplicaçao retal e podem até administrar insulina - a unica *injeçao* autorizada para PAB). Para que um PAB possa executar essas tarefas, ele precisa ser formado por um enfermeiro autorizado, o processo é todo regulamentado e a funçao é *delegada* ao PAB em questao. Ha enfermeiros que trabalham apenas nos processos de transiçao de NP (nao profissionais) em CHSLD (centre d'hébergement et de soins de longue durée). Nao vou entrar no mérito se a déprofessionalisation é benéfica ou nao, mas é uma realidade que veio para ficar (reportagem sobre o tema , aqui = déprofessionalisation).

PAB é um curso de nivel pos-secundario, ou seja, a formaçao leva menos de 1 ano. Meu primeiro trabalho foi como PAB, na época nao exigiam de enfermeiras estrangeiras o curso de PAB. Hoje os residenciais privados ainda podem aceitar sem o curso, mas em geral pedirao pelo menos o RCR e o PDSB. Ha em Montréal um curso  de PAB especifico para enfermeiros estrangeiros (o processo com a OIIQ pode ser super demorado, e com o curso o enfermeiro estrangeiro pode trabalhar no setor publico, que paga melhor do que o privé! No privé o salario é de uns 12$ por hora, e no publico pode chegar até 18$, 20$ por hora). O mercado absorve super bem esses profissionais.

Os PAB sao entao a BASE da categoria de profissionais dos *soins*. Eles nao possuem ordem profissional, nao sao classificados como da *area* da enfermagem (sim, isso é bem confuso mesmo!)

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2 - IA (Infirmier auxiliaire)

Esses profissionais se assemelham mais com os técnicos de enfermagem brasileiro (tanto que técnicos de enfermagem conseguem validaçao como IA, mediante um processo mais simples  - mas também chato - de equivalência de diploma, que pode ser consultado aqui = equivalência OIIAQ)

Os IA sao uma formaçao pos-secundaria especializada, com 1800h de estudos, o que da mais ou menos 18 meses. IA recebem entao uma formaçao mais aprofundada do que os PAB. Eles sao aptos a executarem procedimentos relacionados à administraçao de medicamentos, curativos, punçoes venosas e mesmo instalaçao de medicamentos. IA atuam em quase todas as areas do ambiente hospitalar e comunitario. A lei 90 abriu muitas portas (e janelas!) para os IA, eles assumem cada vez mais responsabilidades na hierarquia dos *soins* (o que a FIQ diz = IA pela FIQ ). O salario maximo de um IA é de 26,50$ por hora.

Um fato interessante, enfermeiros estrangeiros podem pedir equivalência como IA. É uma opçao para aqueles que nao conseguiram a aprovaçao no exame da OIIQ mesmo apos as 3 tentativas ou para aqueles que querem simplesmente um acesso mais rapido ao mercado de trabalho, e nao se importam com essa *queda* no nivel profissional. O salario é interessante e com certeza ha muitas atribuiçoes bacanas para os IA!

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3 - Infirmier technicien (DEC) e infirmier clinicien (BAC)

Aqui é que começa a confusao! Entre um PAB, um IA e um enfermeiro, na pratica, é até facil saber **quem é quem**. Mas quando o assunto é **enfermeiro** ou **enfermeiro clinico**, o negocio complica! Complica pois enfermagem, aqui no QC, permite o acesso via 2 sistemas = o CEGEP e a universidade. O CEGEP da o titulo de *infirmier*, é uma formaçao de 3 anos. Seria + ou - um **tecnologo**, um curso superior de curta duraçao. A faculdade, por sua vez, da o titulo de *infirmier clinicien*, que vem com um bacharelado. 

E no dia-a-dia, o que fazem  de diferente o technicien e o clinicien ??

O enfermeiro (seja ele DEC ou BAC, aqui a lei coloca os 2 no mesmo balaio) possui suas atribuiçoes especificas definidas pela lei (isso ja rendeu post no blog =  o que faz o enfermeiro no QC ). A OIIQ deseja que o acesso à profissao seja feito exclusivamente via o BAC, o que foi rejeitado recentemente pelo governo (e super rejeitado pelos proprios enfermeiros!).

Na pratica, o que vemos é que alguns setores irao priorizar (ou tentam priorizar) enfermeiros com BAC, ou seja, os cliniciens, para algumas funçoes. O setor comunitario é um deles, existem infirmiers techniciens que trabalham em CLSC, mas em geral sao os infirmiers cliniciens que assumem as funçoes nesse setor. Mesma coisa (embora nao seja regra) para UTI, urgência e setores hiper-especificos. Mas nao ha cliniciens em quantidade suficiente, entao o mercado nao tem outra opçcao senao contratar techniciens. E com isso, o *valeur ajouté* do BAC (com a carga horaria de ciências sociais, politica e filosofia de enfermagem) fica em segundo plano.

A formaçao DEC é uma formaçao **terrain**, ela prepara o futuro enfermeiro para botar a mao na massa, literalmente. No BAC, a parte do **pensar enfermagem** é favorecida, é a parte que desenvolve o **savoir infirmier**. O mercado de trabalho ainda nao consegue ver claramente essa diferença.

Como assim, o mercado nao vê a diferença ? Na humilde opiniao dessa enfermeira que vos escreve, e sem fundamento cientifico algum além da experiência e do achismo, um dos problemas esta no fato dessas 2 categorias nao terem funçoes especificas, como acontece com PAB e IA, por exemplo. O clinicien estudou mais tempo do que o technicien, mas na pratica podera acabar fazendo exatamente as mesmas funçoes (numa unidade de clinica médica, por exemplo!). Para entender, é preciso voltar um pouco e explicar o confuso sistema educacional em enfermagem no QC : quando o estudante esta no secundario e vai para o CEGEP, ao optar pelo curso na area de enfermagem ele pode seguir diferentes caminhos = o DEC (3 anos) e sair como enfermeiro. O DEC-BAC (3 anos no CEGEP e 2 anos na faculdade e sair com os 2 diplomas) ou o DEC em sciences de la nature e depois aplicar para o BAC na faculdade (2 anos no CEGEP e 3 anos na faculdade). 

O caminho DEC-BAC é super interessante, na minha opiniao. Interessante pois expoe desde cedo o estudante à pratica diaria da enfermagem, **terrain**, e consolida a parte filosofica e teorica gradualmente no BAC. Mas ha quem defenda o chemin 1 (sciences de la nature + BAC) como o unico e mais adequado possivel, o meio universitario tem um certo *desprezo* pelo pessoal do DEC (ah, a academia e suas frilulas).

Para ser chefe de unidade hospitalar, nao é obrigatorio (embora seja fortemente recomendado) o BAC. Para ser ASI (assistante do supervisor imediato) também nao. Entao muitos enfermeiros simplesmente dizem **para que eu irei fazer 2 anos de BAC, se no fim, sera tudo a mesma coisa?**. Oras, o BAC abre a porta filosofica da profissao, permite ao enfermeiro pensar criticamente, a estudar o sistema de saude e a se preparar para ser um agente de mudança. Mas parece que isso nao é o mais importante .... 

E na hora do vamos ver, no fim da quinzena, como fica ?? O salario varia pouco entre enfermeiros e enfermeiros clinicos. O ultimo *échelon salarial* de enfermeiro é de 33,86$ por hora para enfermeiros e 41,26$ para enfermeiros clinicos. Alguns acham que nao vale a pena **perder** 2 à 3 anos de faculdade para completar o BAC e ganhar menos de 10$ por hora a mais por isso. A se pensar ....

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Caso o enfermeiro clinico decida continuar os estudos, ele pode aplicar para o mestrado e de la, ir para o doutorado e afins acadêmicos. O BAC, nesse caso, é pre-requisito obrigatorio. O mestrado em enfermagem oferece varias ramificaçoes, mas isso fica pro capitulo 2 ....

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À la prochaine!