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vendredi 8 avril 2022

muita agua rolou!

 Como resumir mais de três anos em miseros 3 minutos?

* mudamos de provincia

* comecei a trabalhar como Nurse practitioner

* melhorei muito minha pratica, raciocionio clinico, atendimento

* enfrentamos desafios

* PANDEMIA!!!!!

* decidi me aventurar como professora no ensino superior EM FRANCÊS! Na NOVA ESCOCIA!

* moramos em Halifax agora


Ufa, nao levou nem 30 segundos kkkkk

mardi 13 décembre 2016

presque 300 patients!

Ma pratique comme C-IPS est vraiment récente, j'ai débuté mes RDV vers la mi-août 2016.

Aujourd'hui j'ai eu l'accès à mes statistiques: presque 300 consultations déjà!
Bon, la moyenne est encore faible, je suis en train de construire ma clientèle, c'est un travail progressif et cumulatif. Je suis très heureuse et très fière de moi! 300 cas cliniques! 300 rencontres où la pratique infirmière avancée a été mise en pratique!

J'ai pu côtoyer des nouveaux-nés, des femmes enceintes (malgré le fait que où je travaille nous n'offrons pas le suivi de grossesse, dommage!!) des ados, des jeunes femmes, des jeunes hommes, des adultes, des personnes âgées. Mon patient le plus jeune a seulement dix jours et ma patiente la plus âgée, 95 ans!

J'adore la diversité et la flexibilité avec mes patients. Nous discutons de la prévention des maladies, de la prise en charge globale de la santé, des aspects liées au quotidien, à la vie en famille, les stresseurs, les bons et les mauvais coups. Nous décidons ensemble le début d'une médication versus un changement des habitudes de vie, nous travaillons en équipe.

Je suis là pour aider le patient à trouver son meilleur, je respect son rythme et j'adapte mon *agenda médical* à son agenda personnelle. C'est un travail d'entraide et de collaboration. C,est de la vraie science nursing en action, je suis vraiment heureuse.

Pour compléter ma joie, j'attends la réponse de mon examen de certification, fait novembre dernier. L'ordre des infirmières a envoyé la lettre par la poste vendredi le 09. Aujourd'hui nous sommes mardi le 13. Est-ce que à mon retour je trouverai un enveloppe avec une bonne ou une mauvaise nouvelle?

En cas de réussite, je célébrerai avec du vin rouge. En cas d'échec, je vais me soûler avec du vin blanc.

À SUIVRE .....

Je suis pas mal stressée, disons ....

lundi 21 novembre 2016

exame da ordem feito! (post em português)

UFA!
Parecia uma ternidade, parecia que nao chegaria nunca, tinha medo e criei fantasmas ...

Mas o exame de certificaçao veio, eu fiz, sobrevivi.

Passei? Nao sei, oscilo entre a profunda certeza e a profunda incerteza, faço calculos mentais e prevejo cenarios catastroficos, imagino o melhor e o pior, meu cérebro me prega peças ....

Como foi o exame?

Nao posso dar detalhes sobre as questoes, assinamos um termo de responsabilidade, entao vao as impressoes gerais:

A parte teorica, na sede da OIIQ:
cheguei às 6H40, na cartinha pediam para chegar às 7 e os portoes estavam fechados. Uma alma boa e caridosa nos deixou entrar, assim pudemos esperar no quentinho do edificio ao invés de congelar  na parte externa.

Conversei com outros CIPS, a tensao estava no ar, todos meio nervosos/meio ansiosos/ meio estressados. A sensaçao de ansiedade crescente é a pior, nao é ? Sentimos a pressao no torax, a respiracao vai ficando mais dificil, os pensamentos passam a 1000 pela nossa cabeça, começamos a perceber que nosso corpo esta cheio de adrenalina, so falta o leao.

La pelas 8 da manha, todos os CIPS estavam na sede da OIIQ , todos devidamente identificados, com um crachazinho mequetrefe no peito e nos dirigindo para as salas. Era o fim das conversas, dos risos e da descontraçao, a ansiedade estava no ar, quase palpavel. Hora de pegar um lanchinho (dado pela organizaçao) e se preparar para entrar na sala.

Cabines individuais, separadas por um papelao. Computador, protetor auricular e calculadora a disposicao. Casacos e pertences pessoas colocados de lado. Instruçoes de ultimo minuto (e a ansiedade crescendo, podemos começar logo esse exame??). Pronto, c'est parti!

As questoes sao progressivas, o que significa que uma vez respondida, é impossivel voltar e melhorar a resposta. Primeira situaçao, um caso daqueles simples do dia-a-dia. Nivel de stress vai diminuindo .... Como as questoes sao progressivas, é possivel saber de vez em quando se demos a boa resposta, ja que a resposta precendente nos leva para a evolucao da questao. (YES!, acertei essa opcao, OPS, nao era bem isso, XI, passei completamente à côté!).
A primeira parte do exame teve uma questao extremamente longa e cansativa, acho que eram dez subdivisoes!

Terminada a primeira fase, hora de fazer pipi e voltar para a sala de espera. Fui a primeira a terminar , tenho o péssimo habito de nao reler minhas questoes e usar sempre minha primeira opcao (deve ser trauma de vestibular, sempre que trocava de resposta eu me dava mal kkkk).


Na sala de espera, lanchinho a disposicao, queijinho, iogurte, muffins, barrinhas de cereal, amendoas, agua, suco e café. Pagamos caro pelo exame, nos dao um confortinho minimo. Idas ao banheiro apenas acompanhadas por uma das supervisoras. Ao menos podemos fazer nosso pipi em paz, elas ficam do lado de fora :-)

Quinze minutos de pausa, momento de descontrair, somos proibidas de comentar sobre o exame (mas invariavelmente acabamos falando uma coisa ou outras). As supervisoras estao la e nos lembram "on ne parle pas de l'examen" ..... tentamos focar no que esta por vir, metade ja foi.

Voltamos para os cubiculos, mais duas horas de exame e a primeira parte sera concluida. A ansiedade ainda é facilmente perceptivel, mas a primeira parte do exame ajudou a retirar um pouco o estresse. Retoirou tanto que acabei respondendo bobagens na minha primeira questao, por ter lido muito rapido. Dai fiquei nervosa e respondi bobagens na segunda questao! Se concentre, muié! Se concentre!! Hora de respirar fundo ! Você ainda tem mais de 90 minutos para fazer o exame, va com calma!

Questoes 3, 4 e 5 respondidas, terminei a segunda fase muito rapido, em menos de uma hora (Ô maldito vicio de nao rever as questoes corretamente antes de enviar a resposta!). Balanco do dia: positivo, espero algo acima de 75%. Nao da para saber qual o critério de passagem pois eles analisam segundo a força do grupo, a nota nunca é a mesma, mas com certeza deve ser algo >60%. Nao acho que chegarao a uma nota de corte de >85%, pelo que ouvi na pausa entre a primeira e a segunda parte, muitas questoes *faceis* (para mim) foram perdidas pelos meus colegas.

Um dia feito, estresse diminuindo, aquele picotamente nas maos, aquela ansiedade que nos deixou em estado de alerta maximo se dissipando. O leao foi morto, mas ainda ha outro amanha!

Dia seguinte, confesso que dormi super mal e acordei super cedo.
Convenci marido a me levar, nao sem antes tomar um café da manha reforçado e tentar visualizar positivamente o que viria.

Ele me deixou na porta errada (erro meu). La vou eu, embaixo de vento e chuva, procurar o local certo. So faltam quinze minutos, corre-corre-corre!

Achei a boa entrada e os bons colegas do dia anterior. Para o exame pratico, somos divididos em quatro grupos, o meu era o segundo da manha, 10h30.

E passam 10h45, 11h, 11h15 ... confinados numa sala, somos dezesseis com nossos jalecos e estetoscopios, nervosos. De novo aquela ansiedade palpavel, dessa vez ainda pior pois todos odeiam o exame pratico. Nao é apenas um leao, temos um dinossauro diante de nos, e ele parece terrivel!

Esperar aumenta a ansiedade, a sensaçao de que nosso coraçao vai sair pela boca, que esta seca como se tivessemos passado horas no deserto! Os pés mexem sem parar, o cérébro continua na sua vitesse mega acelerada, tentamos focalizar as coisas boas, fazer exercicios de respiracao, mas cadê corpo que nao ajuda?? Finalmente, quase 11h30, a coordenadora começa a nos apresentar seu power point sobre o exame (REALLY?????). Dez minutos de bla-bla-bla e dez minutos de ansiedade crescendo e crescendo, vou explodir, nao cabe tanta ansiedade numa so pessoa!

Finalmente, presentaçao terminada, hora de saber se vamos na primeira ou na segunda leval. Escuto meu nome, vou na prmeira leva (alivio? Ao menos começo logo essa porcaria!).

Saimos da sala, acompanhadas por dois supervisores. Descubro que mesmo sendo da primeira leva, devo esperar minha colega passar sua estaçao em primeiro luga. Me colocam numa cadeirinha contra o muro, vejo e ouço os supervisores e atores conversando, mas nao consigo distinguir os sujeitos de conversacao. Resolvo praticar um pouco de exercicios respiratorios, afinal eu ainda lembro de alguns truques da Yoga , hora de colocar em pratica. Tenho quinze minutos para me acalmar um pouco. De olhos semi-fechados, vejo o supervisor se aproximar, chegou minha vez. Faço como um atleta antes de entrar em campo,  me sacolejo e libero um pouco a adrenalina, mexo as pernas como cachorro que acabou de se levantar. Vamos encarar o dinossauro!

Primeira sala, temos tres minutos para ler a situaçao, é a famosa situaçao mista, onde os quinze primeiros minutos sao com o ator simulando paciente e os outros quinze minutos sao com os supervisores, para discutir o caso.

Quinze minutos passam voando, acho que consegui pegar todas as informaçoes, agora é hora de analisar e discutir.

Primeira pergunta, dou as informacoes que acho pertinentes, sera que sao suficientes? Vamos para a proxima. Três diagnosticos com justificativas pro e contra. Falei o que me parecia ser o mais obvio, mas quando estava voltando para casa o cérébro deu aquele clic e eu me dei conta que talvez tenha dado uma impressao muito simplista. Vamos ver. Terceira e ultima questao, o que fazer com esse paciente? usei meus argumentos, sera que foram suficientes ?

Toca a campainha, hora de esquecer a primeira estacao e partir para a segunda. Três minutos para ler. É uma estacao pratica, uma técnica que eu treinei exaustivamente em casa. Fiz com uma certa confiança, a técnica em si foi extremamente bem feita, mas eu fiz a ssepsia correta? Sera que contaminei meu campo? Dei as orientaçoes adequadas? Acabei antes de dez minutos e fiquei de bobeira, tentando pensar no que poderia melhorar. Too late, a campainha tocou, hora de ir para a proxima estacao.

Três minutos, leia a situaçao, se prepare. É algo que você viu um zilhao de vezes na sua pratica, faça seus diagnosticos diferenciais, gere o que foi pedido, é so anamnese e impressao, nao precisa fazer exame fisico. Estacao foi tranquila.

Ta favoravel, metade ja foi e ate agora meu nivel de ansiedade esta controlavel, ate diminuindo. A ansiedade nos deixa alertas mas tambem pode nos pregar peças. Sera que esta ficando muito facil e eu estou perdendo a mao? Quarta estacao, situacao que pode ser mais complexa, a anamnese deve ser bem ampla, faca seus diferenciais, seja estruturada, siga um plano logico e tente eliminar os diferenciais com questoes chaves. Responda aos questionamentos, leia atentamente o que esta marcado, você tem informaçoes importantes. Sai da sala meio-a-meio, acho que fui razoavelmente bem , com potencial para ir melhor, mas a campainha tocou em cima da hora (OPS' estou perdendo o controle da gestao do tempo e nem me dei conta!)

ULTIMA estacao, é agora ou nunca. Três minutos, a situacao é IPS-101, algo que conheço "par coeur", vai ser mamao com acucar, estou confiante. Bora encarar!
Anamnese, examen fisico, prescricao oe orientacoes. DAI FERROU TUDO!! Me perdi no controle de tempo, fui dando orientacoes ao mesmo tempo que fazia meu questionario, perguntei duas vezes a mesma coisa. AFFF, nao consegui terminar o exame fisico, cheguei até o abdomen. Sera que tive 50% ? Sera que a parte mais importante da estacao era justamente o que eu nao consegui fazer ? Tive 20%? Qu odio de mim mesma.

Volto pra sala para pegar meu casaco, descontentamento puro com a ultima estacao! Uma colega esta la, mas nao podemos discutir sobre o exame, entao so me resta esbravejar, xingar a estacao, falar muito "merde, merde, merde" e depois pedir desculpa aos supervisores que estavam la, mas eu precisava ventilar.

No caminho de volta para casa, a inevitavel revisao mental desses dias e as inevitaveis analises e questionamentos: ah, merde, nao perguntei isso/isso/isso! Ah, merde, acho que me f*di!.

Entao, hoje é segunda, dia de recomeçar a trabalhar, a resposta so vira antes do Natal.

Passei? Reprovei?

Nao sei!!

O meu bicho de sete cabeças tem apenas três no fim das contas. Meus erros sao ligados à gestao do tempo, seja na hora de prestar atencao e fazer uma bela revisao antes de enviar a resposta no computador, seja noa hora de interagir com o ator e saber realmente focar no que é importante, nao é uma verdadeira consulta e eu nao tenho uma hora! Sao miseros dez minutos, seja direta, seja objetiva, aplique o que você ja sabe.

Se passei, encho a cara com vinho tinto.
Se reprovei, encho a cara com vinho branco e me preparo para o exame de maio.


May the odds be in my favor .....




samedi 4 juin 2016

Moitié de fait!

Un mot pour la mi-stage: réussite!
Il y a 2 ans, vers la même période, j'étais déjà en pré - échec et cela a été très dur pour le moral. À chaque jour je sentais la pression dès mon arrivé à mon milieu, je prenais de l'homéopathie ainsi qu'un floral pour m'aider à me calmer et gérer la journée, sans succès!!! Je faisais des erreurs infantiles et stupides, j'étais au bout du rouleau, mais je ne voyait pas! Deux ans après, aujourd'hui je peux clairement dire que j'étais en burnout, épuisée, fatiguée, exaspérée, découragée et tout autre adjectif possible! Mon expérience précédante a été un vrai cauchemar, je me suis beaucoup questionné moi-même après l'échec  : suis-je une bonne infirmière ? Suis-je une fraude? Je vous jure, le moral était à zéro !
Mon retour à la pratique IPS a été donc tres attendu, bien sûr, mais j'avais toujours cette crainte, cette peur.
Quelle belle surprise mon nouveau milieu de stage! Je peux dire "je ne sais pas" et je ne me sens pas jugée ou infériorisée ! Les médecins disent eux-mêmes "je ne sais pas", et cela c'est très rassurant ! Je peux maintenir une discussion clinique tout en démontrant ma pensée critique, je peux proposer des interventions et je suis apprécié par mes superviseurs et collègues. *suspir de soulagement*
La moitié de mon stage, j'ose à peine à y croire! La fin arrive pour de bon, yuppi!!!!

mercredi 27 avril 2016

Mas afinal, o que faz a IPS? (Post em português)

Já começo me desculpando, pois estou sem computador e é o segundo posto que escrevo a partir de uma tablette.
Cela dit, vamos aos finalmentes ....
O que faz, de fato, a IPS?

Um dia de IPS em prática completa pode incluir:

8h - análise de dossiês / resultado de laboratório / telefonemas / encontro com o médico associado

9h - primeira visita, novo paciente : são visitas de 1h, onde a "prise en charge" é iniciada. A IPS não dá diagnóstico, oferecemos "impressão diagnóstica" . Se uma medicação de uso contínuo (para tiróide, depressão, psoriasis, artrite, etc.) precisa ser prescrita, a primeira prescrição é assinada pelo médico associado. A IPS faz toda a parte de exame periódico, incluindo os atos clínicos e os pedidos de laboratório. Há a preocupação em conhecer a PESSOA, suas impressões, sua maneira de ver a saúde e seus objetivos. IPS trabalham em conjunto com o paciente.

10h - visita de suivi, paciente já conhecido, p.e. Hipertensão, diabetes, asma ... Essas doencas crônicas podem ter clínicas no CLSC conduzidas por enfermeiras, para a parte de educação e às vezes até medicamentos, via prescrições coletivas. A IPS não pode iniciar uma medicação para doenças crônicas, mas pode ajustar as doses sem precisar de uma prescrição coletiva (aumentar a Metformina, propor a inclusão de outro agente, etc.)

10h30 - suivi de gravidez - IPS podem acompanhar gestantes de maneira 100% autônoma até as 32s, após isso podem seguir até o fim da gestação, mas com back-up do médico. Pedimos e analisamos os exames, atuamos nos pequenos problemas da gravidez (túnel do carpo, azia matinal, etc.)

11h - Clínica de crioterapia - IPS podem executar alguns atos, incluindo a crioterapia. Geralmente são consultas pontuais de 15min.

Almoço!!!

13h - visita de bebê - IPS acompanham a gestante e também os bebês! Fazemos o ABCDaire, visitas de duas semanas, mensais e depois durante toda a infância. Visitas de bebês podem ou não ser associadas com visitas da mamãe.

14h - visita da mamãe e planejamento de stérilet - a mamãe do bebê visto às 13h quer instalar um DIU, e esse procedimento também está nas atribuições da IPS! Em geral há uma consulta para planejar a instalação e depois, uma clínica para efetuar o procedimento

15h - encontro com o médico associado,negociação sobre as mudanças de medicamentos e outras pendências

15h30 - suivi de afastamento do trabalho. IPS ainda não possuem autonomia para decidirem sozinhas sobre a prorrogação do afastamento,a decisão é feita em conjunto com o médico associado.

UFA!!!

Outras práticas incluem o SRDV, com casos de otite, pneumonia, entorses, lesões dermatológicas, etc. etc. e etc. serão vistos pela IPS e administrados de maneira autônoma (em sua grande maioria, são raros os medicamentos em fase aguda que a IPS não pode prescrever).
IPS podem efetuar pontos de sutura, gasometria, exereses simples, remoção de unha, imobilizações simples (com gesso).... Mas o que diferencia a IPS é justamente o fato de ser uma enfermeira antes de tudo, então assuntos ligados à prevenção, promoção da saúde, bons hábitos de vida, reforço positivo, etc. estão presentes em TODOS os encontroS, mesmo nos rápid




dimanche 7 décembre 2014

summer job ... ah, o verao de 2008

.... Uma das coisas que o enfermeiro estrangeiro mais quer quando chega ao Québec é receber a resposta da OIIQ dizendo que ele pode começar os trâmites para conseguir vaga num curso de integraçao ou no estagio.
E isso eu consegui depois de UM ANO (!!!) de Canada. Meu processo estava encaminhado desde minha saida do Brasil, mas a USP cometeu um erro grosseiro na documentaçao, que me rendeu meses e meses de espera suplementar.

Quando a resposta saiu, eu fui procurar o CEGEP mais perto de casa, o CVM (Cegep du Vieux Montréal = infos sobre o programa AQUI (AEC - CVM) .

Fiz a prova, fiz a entrevista. E ... fui aprovada para a sessao de outono-2008! (estavamos em maio, se nao me engano rs ... faz tanto tempo ...) .

Nesse meio tempo, vi um anuncio no Jornal metro para **enfermeiros** no Club Med. Apliquei, de alegre. Para os interessados, informaçoes sobre ser enfermeira no Club aqui = nurse @ ClubMed

E depois de um processo interessante que incluiu entrevista telefônica, dinâmica de grupo dançando crazy signs e entrevista individual em francês, inglês e espanhol (UFA!), fui aprovada!

Meu local de trabalho = Punta Cana!
Meu contrato = 6 meses

OPS!!

Fui ao CVM, convenci a diretora a me deixar começar o AEC com a turma do hiver-2009 (janeiro), pois teria assim condiçoes de cumprir o contrato e juntar uma graninha (a essa altura do campeonato, as reservas que trouxe ja haviam desaparecido rs ... dica da tia = traga mais $$ do que recomendam!)

Tudo acertado com o Cegep, hora de encarar 6 meses no Caribe. 

Nao sabia o que esperar, estava aberta aos desafios.

E tive alguns!

Enfermeiros no Club Med sao também *GO* (gentils organisateurs) entao eu deveria seguir o protocolo padrao : sentar com GM (gentils membres, os hospedes), cantar e dançar os crazy signs, participar das atividades sociais, usar a camiseta do dia (cada dia é uma cor de camiseta, recebemos todas quando chegamos, é o *uniforme*) e afins.

Mas, tudo isso, sendo enfermeira! Meus horarios de clinica eram das 8 às 12 e depois das 15 às 18. Mas ficava disponivel entre 12 e 15 e depois ficavamos de sobreaviso para o periodo da noite em dias alternados (eramos 2 enfermeiras). Recebi telefonemas às 3 da manha sobre GM reclamando de dor de cabeça (e dai nao basta dar um Tylenol, devemos avaliar e decidir se chamamos ou nao o médico). Recebi casos de desidrataçao infantil e diarréia do viajante (vaaaaarios casos). Varios casos de otites, queimaduras solares, queimaduras apos contato com agua viva, entorses ... até uma crise histérica e um caso de intoxicaçao alcoolica passaram pelo meu caminho ... Fazia também a parte de educaçao e prevençao com os outros GO, nos modulos de RCR e salvamento. Sem contar com a parte burocratica, controle de agua, relatorio de casos de diarréia para a Central, descriçao de acidentes mais sérios, etc.

Era pauleira! As atividades de GO terminavam por volta da meia noite. Os chamados no meio da madrugada eram frequentes, alguns eram resolvidos por telefone, outros exigiam a nossa presença e a do médico na enfermaria (eu ia de bicicleta, imaginem atravessar o Village!). Tive alguns (poucos, felizmente) casos de hospitalizaçao.

Dormia pouco, trabalhava muito. Tinha 1 dia de folga na semana, aproveitei para conhecer a Republica Dominicana (GO podem participar das excursoes de graça, oferecem 1 ou 2 lugares por grupo. Fiz 3 excursoes, foi bem legal). Enfim, foi **toute une expérience**

O Village em Punta Cana é bem grande =
source http://www.clubmed.us/img/evenementiel/115/3D-maps/image/Food-Wine-Festival-Punta-Cana-3Dmapx600.jpg

O lugar, paradisiaco (deve ser otimo ser GM rsrsrsrsrs)
source http://www.tnetnoc.com/hotelphotos/030/84030/2631759-Club-Med-Punta-Cana-All-Inclusive-Hotel-Exterior-3-DEF.jpg

Essa era mais ou menos a vista da enfermaria (nao viamos quase nada, ja que ficavamos a maior parte do tempo nas cabines de tratamento rs)
source https://farm4.staticflickr.com/3210/4564247298_027a5b132b_b.jpg

Eu dividia um alojamento com outra GO. Cada uma possuia seu proprio quarto, com cama, escrivaninha, armario, espelho e uma pia. Do lado de fora, um banheiro e uma ducha. Os GO possuem uma lavanderia e podiamos comprar alguns itens pessoais na lojinha do Club (fazendo *fiado*, como antigamente ... meu salario foi depositado so ao término do meu contrato, mas isso nao é a pratica comum, normalmente eles pagam mensalmente).

As acomodaçoes sao parecidas com essa aqui =
source https://encrypted-tbn3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSYMRr53Crt2NPNFyh6RlLbSh-_wFymSEW9giMbkQw_skzPcc_j

O que eu mais curtia era ficar de bobeira  na praia entre 12h e 15h, o que raramente acontecia, sempre um chamado nos obrigada a voltar para a enfermaria ... mas era tao bom rs. GO nao ficavam na mesma area que os GM, eu ia para um canto mais afastado, perto do spa, onde as européias aproveitavam para fazer topless. Essa é a praia privativa do Club. Nada mal, né?
source http://www.thetravelmagazine.net/I/img_big/08122008101428.jpg


Estava trabalhando muito (muito mesmo!), mas estava me divertindo também, entao estava Ok e considerando ficar até o fim de ano, mas naquele 2008 a tempestade Bertha foi forte 
Bertha 2008 e o Club sofreu bastante. No fim da estaçao de verao, entre ir para o México ou voltar para Montreal, optei por voltar para Montréal.

Era AGOSTO e a turma no CVM começaria em setembro ... La fui conversar com a diretora do Cegep e pedir para que reconsiderasse meu pedido e me aceitasse de volta na turma de outono, onde originalmente havia sido aprovada.

Ela aceitou, consegui começar o AEC em 2008 e o resto .... bem, o resto esta no blog, as experiências como enfermeira no QC estao identificadas com a tag *saga* :-)

Foi minha primeira e unica experiência de summer job. Foi valido, mas nao repetiria ! Até hoje (2014!) quando escuto uma das musiquinhas do crazy signs, lembro da coreografia e me da uns **trimiliques**, pareço os cachorros do Pavlov ... ;-)

Experiências e viagens, nunca esquecerei minha curta passagem no Club Med. :-) Ah, o pao com chocolate branco era di-vi-no, come-se muito bem no Club. ....


source http://www.clubmed.ca/2010/img/115/events/Nike-Junior-Tour/Punta-Cana-2009/crazy-signs.JPG


samedi 29 novembre 2014

meus primeiros empregos .... 2007-2008

O ano é 2007. Cheguei em setembro, estava sol, eu havia um quarto num apartamento na Avenue du Parc e, como imigrei sozinha, havia fechado com uma agência de intercâmbio para o primeiro mês (pisada de bola, se fosse hoje faria diferente e nao usaria agência, mas ... o que passou, passou).

Na casa onde eu tinha o quarto, podiamos usar o computador e a internet. A dona da casa onde morava foi de grande ajuda para destrinchar os sites de emprego e nao demorou muito para me familiarizar com eles. Ja estava com o processo de equivalência encaminhado e esperava poder começar o curso de integraçao no começo de 2008 (so fui conseguir começar em agosto de 2008, mas isso é outra historia ....).

Sabia **MALOMENOS** onde procurar empregos, sabia que nao poderia ser enfermeira, e sabia que para ser infirmière auxiliaire precisaria passar por um processo de equivalência com a OIIAQ. Entao, decidi investir nas vagas de PAB, préposée aux bénéficiaires.

Nao fui no Emploi Quebec, nao tive consultor, nao frequentei grupos de integraçao ao mercado de trabalho, nao fiz francisaçao, nao tinha networking e so conhecia a cidade da minha viagem de prospecçao feita em 2006, de miseras 2 semanas. UFA!

E para procurar emprego, em 2007, como era ? Na area de enfermagem havia alguns sites super uteis, mas nada especificamente voltado para os PAB. Comecei entao pelo site do Emploi Quebec mesmo. Com o mecanismo de busca por palavra-chave, usando *préposée*, eu vi alguns anuncios, e comecei a analisa-los.

Alguns exigiam experiência quebeca (descartei!). Outros, curso de PAB (descartei também). De uma lista potencial de 12, 15 ofertas, so 3 ou 4 se adaptavam ao que eu tinha a oferecer. Me deu um no na garganta e pensei **e se nao conseguir ser PAB?** ....  decidi seguir em frente e enviar para essas vagas, assim mesmo.

A dona da casa entao me ajudou com a carta de apresentaçao. Meu CV foi adaptado para o cargo que eu estava pleiteando, ja que nao vale nada para quem quer ser PAB dizer que como analista comercial eu era responsavel pela captaçao de R$ 1.000.000,00 mensais em procedimentos cirurgicos de clientela particular, né? 
Adapta daqui, adapta dali, coloquei o enfoque na assistência e nas competências que tinha para os cuidados diretos, incluindo os diferentes tipos de pacientes. 

Fiquei na duvida se colocava ou nao o meu bacharelado, eu ainda estava aguardando a resposta da OIIQ (e consequentemente do MICC, na minha época a OIIQ trabalhava em parceria com o MICC e a resposta vinha ao mesmo tempo praticamente). Acabei colocando, afinal tinha meu diploma original e as versoes devidamente traduzidas do historico acadêmico.

Esse *tiro no escuro* inicial nao me rendeu nenhum convite para entrevista. :-(

Minha primeira semana de Québec estava terminando! Comecinho da minha segunda semana, outono dando as caras, outubro e seu arzinho mais gelado, um pouquinho de mudança nas folhagens ... estava começando a achar que ficaria até janeiro procurando emprego e que me veria em 2008 começando o ano pedindo ajuda do BS! La fui eu para o site do EQ, de novo, de umas 10 vagas potenciais, 3 ou 4 poderiam se encaixar no perfil que eu possuia. 

Mandei os CVs. É sempre aquela angustia quando mandamos CVs, né? Felizmente, dessa leva, tive uma resposta ! E isso, no mesmo dia! Estava com menos de 10 dias de Canada, sera que conseguiria meu primeiro emprego ? Fui convidada para fazer uma entrevista no dia seguinte, e fui com a cara e a coragem.

A entrevista foi com o proprio cliente, beneficiario do programa *chèque emploi-service* do governo. (infos aqui = chèque emploi-service ). Meu trabalho seria fazer o periodo do *soir*, 2h de segunda à sexta. Como funçoes = ajudar o senhor quadriplégico  nas tarefas administrativas e da casa (lavar a louça, dobrar as roupas, abrir envelopes, classificar documentos e ajuda-lo com os papéis da cooperativa de habitaçao, onde ele era o secretario) ; oferecer liquidos e o lanche da noite, usando os utensilios desenvolvidos pelos ergoterapeutas (o senhor possuia uma casa completamente adaptada, vivia sozinho ha mais de 20 anos) ; fazer companhia; ajudar à instala-lo na cama, usando um lève-personne : 
 source https://www.youtube.com/watch?v=Vx8xyw5t0pE

e claro, fazer os cuidados de higiene (ajudar para escovar os dentes, esvaziar o saco da sonda urinaria e instalar o condom urinario (nao lembro o nome em português!!) = aqui uma demonstraçao :
source https://www.youtube.com/watch?v=WSkPVze3VCM

Trabalhar so 10h por semana nao estava nos planos, muito menos fazer o horario super esquisito das 9 às 11 da noite! Mas, era minha primeira oportunidade de trabalho, foi a primeira pessoa que me aceitou e nao exigiu curso de préposée, nem PDSB (na época eu nem sabia o que era isso!). Fiquei com ele por 4 meses, aprendi muito !! No mês seguinte ao meu primeiro emprego, consegui uma segunda oportunidade, dessa vez como *intervenante de nuit*, num residencial para crianças autistas e pessoas com deficiências. Se no primeiro emprego eu trabalhava so 2h por dia, no segundo eu fazia uma maratona, era das 5 da tarde até 9 da manha, sabados e domingos. Era um emprego mais fisico, tinha atividades como varrer a casa, limpar o banheiro, além de me ocupar de servir e supervisionar a hora da janta (que era feita pela outra intervenante) e fazer a preparaçao do lanche das crianças para o dia seguinte. Eu fazia ainda todos os cuidados de higiene (banho, preparar para dormir, trocar de roupa, trocar fraldas, etc). Em geral os autistas eram calmos e usavamos pictogramas para a comunicaçao, um método chamado TEACCH, que eu nao conhecia ... Aqui uma demonstraçao :

source https://www.youtube.com/watch?v=vkymZzmg4jw


O residencial tinha 3 andares, os autistas ficavam no terceiro. No andar intermediario eram pessoas com maior grau de dependência, acamados. Minha funçao era como supervisao noturna e trocar as fraldas da madrugada, ja que no andar intermediario uma equipe de 2 PAB ficava até às 21h. Eu ajudava ocasionalmente na hora de colocar a turma para dormir, eram 6 pacientes. No térreo, eram pessoas com deficiência intelectual, mas autônomas, com trabalho durante o dia, atividades escolares, etc. Minhas funçoes eram mais pontuais com esses clientes, como ajudar a instalaçao do BIPAP, verificar o caderno de glicemia, e garantir que os cigarros estavam apagados e eletrodomesticos, desligados.

Meu começo de vida aqui no Canada foi assim : de segunda à sexta, trabalhando 2h por dia e aos finais de semana, fazendo 32h em 2 dias! Com 42h de trabalho por semana e nenhum dia completo de folga, eu tinha um salario bom para iniciante, uns 1500$. O quarto que havia conseguido pela agência de intercâmbio era so para 1 mês, entao antes do fim de outubro eu ja estava em outra co-locaçao, que consegui pelo Kijiji.

Nao preciso dizer que nao aguentei muito tempo nesse ritmo, né? Mesmo trabalhando so 2h durante a semana, os plantoes de 16h aos finais de semana me matavam! Durante a madrugada eu mal conseguia tirar um cochilo, mesmo sabendo que era autorizada a tal. Um dos jovens autistas queria me fazer companhia e se recusava a dormir em seu quarto. Depois de uns dias eu desisti de brigar, falei com meu supervisor e chegamos à uma conclusao: deixariamos o rapaz dormir no sofa da sala, eu ficava la com ele vendo os programas da CMT, a rede country (e eu nem poderia OUSAR tirar da CMT, os rapazes autistas simplesmente adoravam musica country, fazer o quê ? Nunca vi tanto **Hope & Faith** e **Home improvement** na minha vida rs).

À essa altura do campeonato ja estamos em 2008, a OIIQ ainda nao me deu resposta e eu tinha acabado de passar o pior ano novo da minha vida, fazendo plantao extra no residencial de crianças autistas e vendo os fogos de artificio de NY pela tevê! 

Em janeiro,  apos o fatidico réveillon, me dei 3 meses extras de espera por uma resposta da OIIQ, e decidi que deveria mudar de empregos. Sempre usando o site do Emploi Québec, e sem ter curso de PAB nem de PDSB, consegui um terceiro emprego, dessa vez como PAB num residencial para pessoas idosas em perda de autonomia, do outro lado da cidade. Estava morando como co-loc numa casa perto do metrô Beaubien e meu trabalho era bem apos o metrô Lasalle. Me despedi do senhor quadriplégico e do residencial, assumiria enfim apenas um emprego, à temps plein, 35h por semana.

Para quem nao conhece o metrô de Montréal, eu fazia baldeaçao na Berri-UQAM até a estaçao Lasalle e de la, pegava um outro bus. O trajeto levava em média 1h. Uma hora de transporte, eu que havia fugido de Sampa (onde levava 2h no meu trajeto entre a zona norte e o Morumbi!)

source http://www.forgetthebox.net/wp-content/uploads/2013/01/Montreal_Metro_2050_by_DashSpeed.jpg


Meu trabalho #3 nao era de noite, nem de soir ... ao contrario, eu começava às 6 da manha! SEIS DA MANHA!

pergunta do dia : quem em sa consciência vai começar no trabalho às 6 da manha ????

Por la eu aprendi muito também, eu ficava prioritariamente com os idosos em perda de autonomia, mas de vez em quando me colocavam no andar dos idosos autônomos. Adorava trocar historias e aprender com essas pessoas. Era a primeira vez também que estava trabalhando em equipe, meus empregos anteriores era aquela coisa de lobo solitario ... Socializar faz bem, conversar com outros PAB, trocar experiências ... conheci um pessoal muito bacana, pessoas de varios backgrounds! Um advogado da Etiopia que havia encontrado na profissao de PAB uma possibilidade de recomeçar a vida no Canada; algumas PAB quebecas de familias haitianas que falavam em créole ... mas nenhum dos meus colegas de trabalho era enfermeiro **à la base**, eu era a unica.

E quando recebi a resposta da OIIQ, fui me informar sobre o curso de integraçao no Cegep du Vieux Montréal, fiz a prova e começaria na sessao de outono ... Mas eis que eu vejo um anuncio no Jornal Métro do ClubMed, procurando justamente enfermeiros .... 

O que rendeu meu quarto emprego, e no Caribe .... e como enfermeira! 

.... continua ....







mercredi 26 novembre 2014

la détresse Ψ entre les professionnels de la santé

 Ce matin, j'ai lu l'histoire d'Émilie sur Presse +. 

Ressentir un peu d'anxiété dans certaines occasions est normal, physiologique et même quelque chose de prévu. Mais, il ne faut pas ignorer la composante **santé mentale** des professionnels de la santé (le texte parle des étudiants en médecine, mais je vois le problème beaucoup plus large, du PAB au DG).

C'est en vérité une constatation étrange = nous nous préparons à aider les autres, à **sauver des vies**, à rétablir les conditions optimales ou à optimiser les conditions actuelles, mais nous mettons notre propre santé mentale en deuxième plan et parler de cela est un vrai tabou.

En analysant rétrospectivement, j'ai vécu un moment de stress très fort pendant le stage et probablement ma santé mentale était affectée. Je pleurais sans raison, j'avais la fameuse boule de larmes qui n'attendent qu'à être expulsées. Mais, personne ne le savais. Ah, le secret, la honte. 

Dans notre société, le stress au travail est présent un peu partout, bien sûr. De la caissière du dépanneur du coin à l'enseignante au primaire, du pompier au CEO ... Mais il ne faut pas ignorer que les exigences liées au travail dans le domaine de la santé sont enormes. Nous travaillons avec la vie et la morte, nous côtoyons les gens dans les moments les plus difficiles dans leurs vies. C'est connu : en plus des conséquences sur la personne, les problèmes de santé mentale ont un impact sur la famille et également sur l'organisation.


Pour les infirmières, j'ai trouvé quelques statistiques assez troublantes = ( source = Santé des infirmières  )



  • Près de la moitié (48 %) des infirmières qui ont dispensé des soins directs ont déclaré qu'elles avaient déjà été blessées par une aiguille ou un autre objet acéré (p. ex. des ciseaux, un scalpel, un rasoir) contaminé qui avait été utilisé sur un patient ....
  • Plus du quart (29 %) des infirmières qui dispensent des soins directs ont déclaré avoir été agressées physiquement par un patient au cours de l'année précédente .....
  • Plus de la moitié (54 %) des infirmières ont déclaré qu'elles arrivaient souvent tôt au travail ou qu'elles restaient tard afin d'accomplir leurs tâches; 62 % ont déclaré qu'elles travaillaient pendant leurs pauses ...

Quand on se pique avec une aiguille, c'est un stress terrible. Quand on se fait traiter de *méchante garde*, aussi. Et quand on ne mange pas parce qu'on doit finir nos notes ou refaire un pansement, idem.

Ce n'est pas un cadeau, la vie d'un professionnel de la santé ....

Quel paradoxe!

Pour se maintenir debout, pour **toffer**, quelques personnes iront chercher de l'aide. Quelques-unes trouveront de l'aide dans la drogue. Qu'elle soit licite ou illicite ... 

Une autre donnée troublante : le TIERS des plaintes disciplinaires soumises à l'OIIQ se rapportent à l'appropriation de narcotiques et de médicaments! Nous avons donc des infirmières (et autres professionnels de la santé aussi) qui vont travailler **gelées**. Sont-elles débordées ? Déprimées ? Épuisées ? Toutes les alternatives antérieures, peut-être! La vie n'est pas si belle quand on a un problème de santé mentale et on ne peux pas en parler ...

Un récit intéressant peut être lu ici = santé mentale et infirmières

Dans un monde idéale, nous serions capables de nous aider, comme nous essayons d'aider les autres.

Bref, dans mon cas à moi, j'était au bord de l'épuisement et c'est clair !! Aujourd'hui je me sens bien, merci. Je reconnais mes points (+), mes faiblesses et je sais à quoi je dois m'attendre pour ma reprise de stage. OUFF! 

SVP, professionnels de la santé = parlons de **NOTRE** santé mentale !! Le sujet doit être combattu sans tabou.


mercredi 10 septembre 2014

enfermagem no Québec (post em português) - capitulo 6, final

Nao vou encher linguiça sobre o curso IPS, ja que nos 2 ultimos anos foi basicamente sobre isso que o blog tratou. Vou dar continuidade à novelinha sobre o dia-a-dia de enfermeiro aqui no Québec ...

ja vimos =
a fase estagiaria
a fase CEPI
ser enfermeira em clinica médica em région
ser enfermeira em CHSLD e CLSC (EJF e cardio)
ser enfermeira em EFJ

Agora é a vez de um pouco de comunitario, volet SAD, soins à domicile.

Como volto para o estagio IPS em janeiro-2015, a opçao mais logica foi conseguir um emprego temporario. E aqui no Québec, como enfermeiro, emprego temporario é algo muito facil de ser obtido, especialmente pelas agences de placement.
Nao vou discutir se é justo ou nao o governo aceitar a existência das agências. Nas atuais condiçoes, as agências acabam desempenhando um papel importante, de prover a mao-de-obra enfermeira em prazo curto, cobrindo as lacunas do sistema e mantendo a maquina funcionando.

Pois bem, estou com 2 agências. Em ambas eu faço basicamente do SAD-PALV (soins à domicile, perte d'autonomie liée au vieillissement). O que quer dizer essa letraiada toda?
Sao pessoas idosas que moram em suas casas ou residenciais (sem ser um CHSLD!) e que, por uma razao ou outra, precisam do serviço de enfermeiros e nao podem se locomover até o CLSC, seja por questao financeira, logistica ou incapacidade fisica.
Eu moro em Salaberry-de-Valleyfield e acho que escolhi mal as agências, pois nenhuma delas me manda para CLSC perto daqui rsrs ... 

Mas, indo ao que interessa, como é a rotina?
Numa das agências (chamarei de *A*) eu tenho um horario fixo, de segunda à quinta, das 13 às 21h. Eu sou a *infirmière support* e respondo pelos casos que as enfermeiras do dia nao conseguiram terminar ou que exigem 2 visitas. Neste local de trabalho, tenho 4 tipos de clientes:
1) os que devem receber uma avaliaçao de estado geral, feita periodicamente (normalmente a cada mês)
2) os que recebem avaliaçao de insuficiência cardiaca (a cada semana, 2 semanas ou conforme o quadro clinico)
3) os pontuais, para uma coleta de sangue ou procedimento especifico
4) os crônicos, como curativos e outros procedimentos

Entao, para cada cliente, um tipo de intervençao.

Os clientes do tipo 1 sao idosos que estao em casa, mas que precisam ser monitorados, seja por risco de queda, por antecedentes de fraturas, por estados iniciais de demência, o que for. Cada avaliaçao leva em média 30, 45 minutos e é uma boa conversa, verificaçao de medicamentos, alimentaçao, sono, lazer, moral, com uma parte simplificadissima de exame fisico, normalmente so sinais vitais e uma rapida inspeçao.

Os clientes do tipo 2 sao insuficientes cardiacos, a maior parte com oxigênio em permanência e o protocolo de observaçao é mais restrito, ha todo um check list a ser verificado a cada visita e o exame fisico é ligeiramente mais completo. Levo quase 1h nesses casos, é uma avaliaçao de estado geral mais rica em detalhes, e nao podemos deixar um insuficiente cardiaco descompensar, o objetivo é manter o individuo em casa o maior tempo possivel! Alguns possuem protocolo de Lasix, outros nao. Alguns controlam super bem a alimentaçao e hidrataçao, outros nao ...

Os pontuais (tipo 3) podem ser das mais variadas opçoes = seja apenas 1 analise de sangue a ser feita (que devo encaminhar rapidamente para o CLSC), uma medicaçao SC ou IV, via PICC-line, um curativo agudo como pos operatorio, uma colostomia, uma gavagem, etc. Sao visitas rapidas, mas que algumas vezes exigem bate-e-volta, como nos casos de antibioticos que devem ser instalados e desinstalados. Podem ser simples visitas de 20 minutos à longas visitas de 1h, depende do caso.

E a grande massa da minha clientela sao os crônicos, pacientes do tipo 4, com feridas gigantes e normalmente super exsudativas (normalmente ulceras de pressao, ou venosas. Tenho poucos casos de ulceras arteriais). A técnica dos curativos deve ser a técnica *limpa*, ja que essas pessoas estao em suas residências em nao em hospital. Alguns curativos levam quase 1h para serem feitos e as posiçoes nao seguem necessariamente os principios PDSB, nao rs .... Alguns crônicos possuem dossiês especificos para a equipe do soir (no caso, eu e uma outra enfermeira, também de agência), pois os curativos sao trocados 2 ou 3 vezes ao dia. É onde acabo conhecendo os pacientes, onde conseguimos criar uma ligaçao mais profunda e onde a enfermagem ultrapassa a simples técnica, pois a proximidade, o acompanhar o individuo a cada dia abre portas. Sao momentos unicos e eu gosto bastante.

Na outra agência (*B*), a clientela é quase a mesma, o que muda sao os locais de trabalho. Eu estou disponivel com eles apenas durante os finais de semana, pois invariavelmente vao me mandar para Montréal, e é terrivel sair de Valleyfield e ir para Montréal durante a semana! Ja fiz VAD-PALV, VAD-Soins courants e EFJ por essa outra agência. É mais diversificado, dificilmente sei onde vou com muita antecedência e isso é bem incerto, uma vez que podem me ligar às 4 da manha para começar um plantao às 8 (esta no contrato e eu assinei. Até agora o mais tarde que me ligaram foi às 23h, para começar no dia seguinte). Estou pensando seriamente em ficar apenas na agência *A* ;-)

Para o SAD, o material de base para curativos é fornecido pelo governo (gases, NS 0,9%, bandagens, kits, gel, etc.) Caso um curativo de prata, ou iodo, ou filme transparente especifico, curativos de acrilico ou mousse seja indicado, esse produto devera ser precrito pelo médico e a familia ou responsavel devera se encarregar da compra. Algumas vezes eles conseguem cobertura pelos seguros e mesmo pelo governo, mas normalmente assumirao o custo total, que pode ser bem caro (ha curativos que custam uns 2000$ por mês!). Quem determina o plano de soins das feridas é a enfermeira, mas em alguns casos elas podem pedir a intervençao ou conselho da estomaterapeuta. Eu, como *support*, so sigo o plano estabelecido e posso dar uns pitacos, mas nao tenho o mandato de decidir qual protocolo, qual tipo de curativo ou qual frequência de troca.

SAD-PALV é uma area rica e muito interessante, sem duvida, mas exige muita locomoçao e com isso, horas de plaisir (NOT!) no trânsito. E eu odeio trânsito! (quem ja leu sabe que escolhi meu primeiro emprego como CEPI visando ir e voltar a pé!). Acho que, como temporario, é interessante, mas nao sei se conseguiria fazer por muito tempo. Ao contrario de EFJ onde tinha 2 ou 3 visitas por meio periodo, no maximo, no VAD-PALV eu tenho de 8 à 9 por dia, e passo de 5 à 6h sem parar, entrando e saindo da casa dos clientes, cobrindo enormes territorios (cheguei a rodar 96km outro dia!) e gastando muita gasolina (que é reembolsada pela agência). É bem cansativo, nao temos as folgas garantidas do bloco operatorio, as vezes eu mal tenho tempo para devorar um lanche (o que é muito em parte minha culpa, eu nao consigo ser aquela enfermeira que simplesmente entra e faz o procedimento. Eu vou interagir com o paciente e sua familia, vou tentar saber se tudo vai bem, vou fazer o procedimento com calma e respeitando as técnicas, e a pressa é inimiga da perfeiçao, nao é mesmo? Acho que sou lerdinha, mas é assim mesmo rs).

O lado ruim, trabalhar en agência significa que eu nao faço parte da equipe, estou la como quebra-galho e em algumas equipes isso é nitido. Na agência *A*, como tenho horario fixo, sinto que a integraçao começa aos poucos a ser feita, os pacientes oferecem seus feed-backs e os enfermeiros conseguem ver a continuidade do meu trabalho, ja recebi elogios na frente da ASI, e elogios sao sempre bem vindos. Na agência *B*, que me oferece sempre coisas pontuais, eu sou apenas o bombeirao mesmo, recebo os casos e uma orientaçao minima, as vezes de apenas 10 minutos sobre as rotinas especificas. Muitos enfermeiros fazem agência pois elas possibilitam um controle quase total dos horarios: uma vez dada a disponibilidade, o enfermeiro tem de 24 à 48h para anular aquele plantao. Cada enfermeiro pode dar a disponibilidade que lhe convier, seja 1 dia ao mês ou 5 dias na semana, e no horario e setor que convier. Eu pedi CLSC, e recebi o que pedi. Nao abri exclusivamente para EJF pois sei que é uma das areas que menos usa os serviços de agências. Nao pedi centro hospitalar pois minha ultima experiência é aquela de Témis, e acho que estou enferrujada, e nao pedi CHSLD pela mesma razao. Eu gosto do comunitario, gosto de estar na casa das pessoas e mantê-las por la. Se eu tivesse aberto minhas opçoes para todos os setores, teria trabalho 24x24, sem duvida!
Por enquanto, essa forma de trabalho esta me servindo, eu consigo organizar meus horarios e recebo direitinho.
E a rotina, o dia-a-dia ... bem, dirigir 96km num dia de trabalho me faz me sentir uma taxista, mas eu sei que é temporario ;-)

Entao é isso, a novelinha acaba por aqui. Sou enfermeira no Québec desde 2009 (estagiaria em 2008!) e acho que ja rodei um pouquinho a Belle Province, ja experimentei alguns setores e pude estabelecer o tipo de profissional que quero ser por aqui. Ha enfermeiros que saem do estagio, conseguem um emprego como CEPI e nao mudam de setor, parabéns para eles! Admiro mesmo. 
A variedade de locais e de pessoas com quem trabalhei nesses anos todos é muito rica. Vi pessoas em diversos momentos, do nascimento à morte, passando pela sala cirurgica, estive com pacientes em casa e no hospital. O dia-a-dia de uma enfermeira é unico. Nao sao apenas curativos e injeçoes. Enfermeiros estao la para acompanharem as pessoas, escutamos, oferecemos apoio, valorizamos o que a pessoa tem e faz de bom, ensinamos e compartilhamos para que ela melhore ainda mais. Aceitamos o fim, aceitamos o que nao podemos mudar. Enfermeiros nao sao anjos com asas, sao profissionais com uma formaçao complexa no dominio da saude, com uma parte de ciências humanas que é imensa. Mais do que saber instalar uma sonda ou conseguir puncionar uma veia de primeira, o enfermeiro deve saber ouvir, deve estar presente, manter uma présence vraie e aceitar o outro. Compartilhamos bons e maus momentos com desconhecidos que aprendemos a respeitar, sao historias fantasticas, de pessoas que possuem bagagens de vida interessantissimas. Cada vida é unica, e poder compartilhar 20, 30 ou 60 minutos com essas pessoas provoca imensas reflexoes. Nao ha um dia em que nao aprenda algo, nao ha um dia em que nao deixe algo de mim naqueles que vi e que atendi. É uma troca, e estar aberto à isso é fundamental.
Aos enfermeiros brasileiros que leram a novelinha, espero que esses relatos tenham mostrado um pouco como é o dia-a-dia enfermagem no Québec. Nao posso generalizar, nem todos enfermeiros atuam da mesma maneira. Essa é a minha descriçao da enfermagem que eu, Gabriela, pratico, e os setores onde eu atuei. Espero que cada um possa construir sua propria historia e manter a chama da enfermagem acesa entre nos.
É uma ciência e uma arte. Hoje eu sei disso.

Termino a saga agradecendo a universidade que me proporcionou toda minha base, sem ela nao estaria aqui hoje e nao seria o que sou. 


source https://encrypted-tbn2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQ63z_6dKCoxre2lu87whuz7RHcIA68bdhmwbJ8hS0CLsiWfN5y




lundi 8 septembre 2014

enfermagem no Québec (post em português) - capitulo 4

... Ah, ser enfermeiro em région, que delicia!
Mesmo com o baque fisiologico de fazer 1 mês de dia e 1 mês de noite, eu estava curtindo e aprendendo. Mas eu era a novata do pedaço. E novato cobre férias, né?

E assim, la fui eu cobrir as férias de uma enfermeira no CHSLD do micro-hospital (veja os capítulos precedentes para conhecer esse parcours!)

capitulo 1
capitulo 2
capitulo 3

O CHSLD ocupava o segundo andar do prédio, onde o térreo era dividido entre o Centro Hospitalar (a unidade de hospitalização com seus 6 leitos e a urgência) e o CLSC. Eram mais de 20 pacientes no CHSLD e 4 PAB em permanência, das 7 às 19. Os enfermeiros so trabalhavam durante o dia, e a escala deles era diferente da escala do hospital. Eram duas enfermeiras no CHSLD, e eu cobri férias de uma delas por 4 semanas.

Trabalhar com uma clientela 100% geriatrica, aquela seria minha primeira experiência. Tudo é aprendizado, então fui sem medo.
As rotinas não eram muito diferentes daquelas da unidade de hospitalização, mas com muito mais medicamentos a administrar (todos PO) e menos tempo para ajudar os PAB = e consequentemente, menos tempo para conhecer os pacientes (os enfermeiros da unidade conheciam os pacientes de longa data, mas eu estava apenas para cobrir férias, então não tive tempo suficiente para conhecê-los a fundo. É como um enfermeiro de equipe volante, não da tempo de criar os vínculos).

A geriatria tem características bem especificas, e  eu me vi diante de desafios como decidir quando colocar um método de contenção, ou quando suspeitar que a confusão é na verdade uma infecção urinaria, quando o inchaço abdominal é na verdade um sangramento oculto ou uma constipação ... a enfermagem em geriatria é cheia de nuances e eu tive 4 semanas de aprendizado intenso. Muitos idosos desenvolvem feridas e ulceras de pressão, mesmo sendo mobilizados constantemente. Se metade do meu plantão era avaliar os pacientes e dar as medicações, a outra metade era dedicada aos curativos e eventualmente procedimentos como sondagens, fleets e cia. Era muito trabalho para apenas 1 enfermeira! Eu havia comentado isso com o enfermeiro-chefe, mas nesse aspecto não dividíamos a mesma opinião (segundo a OIIQ, que se apoia nas recomendações do American Nurses Association e do Royal College of Nursing, o ratio deveria ser 1:10 para garantir a qualidade dos cuidados e dos serviços, e eu sou 100% de acordo! 1:20 é do puro faz-faz-faz!) = ha todo um debate sobre a carência de enfermeiros em CHSLD, esse local não atrai tanto a atenção dos novos enfermeiros e nem mesmo do governo, que acha que diminuir o numero de enfermeiras é uma *resposta natural* às necessidades da clientela, vejam so (pausa para um momento **revolta com o sistema**)

(extrato de uma  reportagem sobre CHSLD )
«Si on diminue les infirmières, c'est pour répondre aux besoins des gens. Les besoins ne sont plus en soins infirmiers en tant que tels. Le besoin, c'est de lever les patients, de laver les patients et d'apporter une aide à l'autonomie de la vie quotidienne. Et, pour ça, il faut plus de préposés, moins d'infirmières.» - Le ministre de la Santé et des Services sociaux, Réjean Hébert, questionné le 26 septembre dernier au sujet de la coupe de 30 postes d'infirmières à l'Institut universitaire de gériatrie de Montréal.
«Les préposés sont précieux et ont un rôle super important dans l'assistance aux malades. Mais on ne peut pas substituer l'un pour l'autre. Ça n'a pas de bon sens! Les infirmières font des évaluations précises pour donner des directives de soins aux préposés [...] pour que le résidant soit bien traité, pour éviter l'utilisation des contentions. Si personne n'est capable d'évaluer, on ne prend pas les bonnes décisions de soins. Ç'a des conséquences.» - Lucie Tremblay, présidente de l'OIIQ. Elle souligne que les suppressions de postes augmentent depuis quelques mois.
source http://tvanouvelles.ca/archives/lcn/infos/national/media/2012/02/20120202-190709-g.jpg


Eu compartilho da visão da OIIQ, acho que a clientela geriatrica merece ser avaliada por profissionais capacitados e habilitados. Pela lei, o PAB não tem esse direito. Eles são os olhos, ouvidos e mãos dos enfermeiros, que acabam confiando na informação dada pelos PAB para tomarem suas decisoes. Meu tempo para analisar uma condição clinica era o menor possível, e eu me questionava constantemente se estava tomando a melhor decisão.

No CHSLD, eu estava para cobrir férias, estava fazendo algo novo e queria fazer bem feito. Além da dificuldade em administrar meu tempo entre todos os pacientes, eu sofria com a antecipação de uma queda de paciente. É muito frustrante num CHSLD, quando um paciente cai! Uma queda é uma dor de cabeça na certa! Nao falo apenas dos 1001 formularios, observação, comunicação ao médico, investigação .... quando um dos pacientes caia, eu queria cair junto, de raiva! A enfermagem se culpa enormemente quando um paciente cai ou quando desenvolve uma ferida de pressão, mas aprendi e aceitei que o paciente também tem sua *parcela* nessa conta. Muitos idosos são confusos e acabam perdendo o equilibrio por besteira. E la vão para o chão. Fraturar um quadril aos 90 anos não é nada legal, nesses casos chamávamos a ambulância e encaminhávamos para um dos hospitais de apoio. No meu periodo de cobertura de férias no CHSLD, tive 2 quedas. Nenhuma precisou ser encaminhada ao hospital de suporte, não fraturaram nada, mas é uma trabalheira e uma fonte de estresse!!

Entender que o CHSLD é o milieu de vie daquelas pessoas, e não apenas uma unidade hospitalar, foi fundamental. Não é um local temporario, os quartos sao enfeitados, ha flores e bibelôs, ursinhos de pelúcia e fotos. Transformar aqueles quartos impessoais em algo acolhedor é um grande desafio. A equipe de PAB era fantastica, o carinho com os idosos era real e eles se esforçavam ao máximo para transformar o local numa verdadeira *familia*, com direito ao barbecue na varanda nos dias de verão, musica no meio da tarde e mesmo zooterapia, feita de forma *caseira*. E avaliar as necessidades desses senhores e senhoras em fim de vida, que desafio nursing gigante! Lidar com demências e com perdas cognitivas, mesmo com sequelas de AVC incluindo aquelas do lobo frontal que deixam a pessoa **desinibida** ... aprendi pacas! Geriatria é uma area que tenho e terei muito carinho.

Minhas quatro semanas passaram voando, e como ja estava cobrindo férias mesmo, depois dessa experiência e como eu era a unica infirmière clinicienne atuando no lado hospitalar do CSSS, fui convidada a cobrir uma licença maternidade no CLSC, a enfermeira de perinatologia e cardio estava gravida de seu terceiro filho (la eles eram bem rígidos = enfermeiros cliniciens atuam no CLSC e na urgência e enfermeiros techniciens atuam no hospital e no CHSLD).

E foi no CLSC da micro-cidade que eu descobri minha area preferida como clinicienne, a area de EFJ - enfance famille jeunesse!
Em perinatologia tive direito a formação sobre o PIQ, o protocolo de imunização do Québec, que trata das vacinas. Tive direito a uma formação sobre os cuidados do desenvolvimento do recém nascido e sobre o periodo pos parto. ADORAVA! Minha agenda era muito tranquila, tinha 3 ou 4 bebês ou crianças a serem vacinados no dia. Quando um bebê nascia (em North Bay, ja que em Témis não tínhamos nem maternidade e nem sage-femme) eu recebia o aviso de nascimento e oferecia a visita domiciliar (que vou detalhar um pouco mais tarde, no proximo capitulo). Além de acompanhar os recém nascidos e recém mamães e vacinar os pequenos, eu fazia pelo menos 1 avaliação de desenvolvimento de crianças de 3 anos por semana (cada avaliação Denver levava 90 minutos, era um trabalho super minucioso, ja que no micro-hospital não possuíamos educadoras especializadas). Detectar problemas de amamentação, de linguagem, de fala, de comportamento, de violência familiar ... a area de EFJ é fascinante. 

Na parte de cardio, seguia o programa de reabilitação cardiaca da Sociedade de Cardiologia do Québec, de 6 semanas pos IAM. Eram encontros individuais e cada semana discutíamos um tema. Tinha dois pacientes nesse programa. Participava ainda 1x por quinzena do clube de marcha, que era feito 2x por semana no Centro esportivo local (essa tarefa era interessante, eu dividia com a nutricionista e com as enfermeiras de diabetes e pneumo: ao mesmo tempo que coordenava o clube de marcha, podia validar conhecimentos e fazer mini-avaliações dos participantes, na grande maioria idosos). O volet cardio compreendia ainda os casos de INR, para os pacientes que recebiam o Coumadin (também recebi formação para tal!). O mix de bebês e cardio era interessante. Em geral os dias eram divididos meio-a-meio: a parte da manha, dedicada aos bebês, crianças e puérperas e a parte da tarde, aos acompanhamentos de cardio e suivi de INR. Funcionava muito bem! 

Pela primeira vez, como enfermeira no QC, tinha um bureau para chamar de *meu*, horarios específicos com cada cliente (30 à 90 minutos) e nada de rush, nada da adrenalina da urgência, nem do bloco operatorio. Enfim, estava em paz e havia encontrado meu caminho profissional! Eu conseguia associar aquele mix de pratica que inclui procedimentos (vacinas, avaliação de recém nascido e puérpera, além dos protocolos de cardio), educação (amamentação, puerpéreo e cardio) e prevenção (vacinação e depistagem de problemas de desenvolvimento, clube de marcha ...). Para mim, um mix perfeito, era a consagração do projeto *enfermagem no Québec*, estava muito feliz e super satisfeita!

Como eu sou clinicienne, na época, por iniciativa e por demanda do infirmier-chef, eu participava ativamente de projetos de melhoria encaminhados no CSSS, como a implantação do modelo McGill, a alteração nos formularios de notas de dossiê e alguns pontos em educação continuada. Em EFJ eu estava apenas cobrindo licença maternidade, então a proposta do CSSS era de, uma vez encerrada a licença, de me fixar como enfermeira escolar, de infecção hospitalar e continuar com os projetos de melhoria (meio periodo em cada atividade, ja que eram funções exercidas por enfermeiras em pré-aposentadoria que trabalhavam apenas 2 dias por semana, eu asssumiria as 2 funções em tempo integral).

Mas, marido não estava empregado e mesmo tendo um salario adequado, voltamos para Montréal para que ele pudesse conseguir um job. E em Montréal, consegui o quase impossível (segundo a lenda): um emprego como clinicienne em EFJ, num CLSC! E foi la que conheci um pouco mais sobre a profissão IPS (o barco onde me aventuro até hoje!)

Vamos para o capitulo 5 dessa novelinha?


dimanche 7 septembre 2014

enfermagem no Québec (post em português) - capitulo 3

Hora de falar sobre o dia-a-dia de uma enfermeira em région!

Para os interessados, aqui os capitulos anteriores =
capitulo 1
capitulo 2

Larguei o bloco, voltei temporariamente pro Brasil, e aguardei por la o resultado do exame da OIIQ. Eu passei de primeira no exame (so ele daria um post, mas mudaram as regras entao deixo para quem esta mais fresquinho no tema!). A situaçao familiar estava resolvida e foi do Brasil  mesmo que organizei uma entrevista para a cidade de Témiscaming!


Voltei, fui fazer a entrevista la onde o Judas perdeu as meias, a cidade de Témiscaming, que chamarei apenas de *Témis*, 7h de Montréal, mas num local lindo-lindo-lindo! (duvida ? Confira aqui = Témis, site da cidade). Conjoint e eu ficamos encantados. A viagem e hospedagem para a entrevista foram pagas pelo hospital, mesmo se eu nao aceitasse a oferta de trabalho (como somos mimadas, como enfermeiras!). Apos uma reflexao nao muito longa e uma conversa com conjoint, decidimos: **vamos encarar** e aceitei! Eu seria infirmière clinicienne num hospital com 6 leitos. Sim, nao digitei errado. O HOSPITAL tinha seis leitos, que podiam virar 11 caso usássemos o corredor.


source : http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7e/Ville_de_T%C3%A9miscaming.jpg


Como infirmière clinicienne de um hospital tao pequenininho, nao da nem para comparar com o que eu tive como estagiaria! La era mais um centro de estabilizaçao, casos complexos eram rapidamente dirigidos aos centros de North Bay (ON) ou Gatineau (QC). O que tinhamos, entao? Algumas descompensaçoes  pulmonares, cardiacas e diabéticas, pneumonias e outras infecçoes dificeis de serem controladas no comunitario,  reabilitaçoes em pos cirurgias (efetuadas em outros hospitais, obviamente!), crianças com quadros infecciosos simples e casos psiquiatricos como tentativas de suicidio e depressoes, além de (muitos) casos paliativos onde a pessoa havia decidido finalizar seus dias no hospital.


Foi la que eu acompanhei, pela primeira vez na carreira, uma pessoa morrer. Ja tive pacientes que morreram, mas naquele esquema,  **nunca no meu plantao**! Em Témis eu fazia plantoes de 12h, alternando 1 mês de dia e 1 mês de noite. Eram 3 ou 4 dias trabalhando direto, e 3 ou 4 dias de folga. Nada de 12x36, nao! O corpo sofreu um baque, confesso. Descobri que odeio trabalhar de noite! O mês *diurno* passava muito rapido e o mês *noturno* era interminavel, eu chegava em casa às 8h, tomava um café da manha e dormia. Dai acordava la pelas 4 da tarde, tomava banho, comia algo e ia pro trabalho! Aff, como aguentam as enfermeiras que fazem noturno ha 1000 anos ? A sensaçao era de trabalhar e trabalhar, so isso ...


Mas, afinal, quais eram as rotinas no micro-hospital, que é esse o objetivo da novelinha?


Durante o dia, eramos eu e um PAB. Durante a noite, eu estava sozinha. Entao durante o dia acabavamos fazendo tudo junto, o PAB e eu: passar os cabarets de agua, servir as refeiçoes, fazer os cuidados de higiene, mobilizar os pacientes ... Na parte de medicamentos, a maioria recebia apenas comprimidos, apenas 1 ou outro tinha um acesso venoso. Sangue? Era rarissimo, precisavamos **importar** da cidade de Ville Marie, avisando com 24h de antecedência! NPP? Nem pensar! Mas tinha muita morfina, especialmente SC, com cateter. Alguns com SVD, alguns com O2 ... alguns curativos e até alguns pacientes com monitor cardiaco , mesmo sendo um mini hospital possuiamos telemetria, super chique rs! Mas a telemetria permitia 2 pacientes no monitor, maximo dos maximos!  Confesso que nao tinha muitos desafios técnicos, nao. Quem fazia as punçoes para os exames de laboratorio era a propria técnica de laboratorio, exceto quando deveriam ser feito bem cedinho (ela começava às 8h30). O grande desafio era organizar os 6 leitos! Teoricamente o hospital teria 8 leitos, tinhamos 3 quartos duplos mas um deles era **emprestado** para o CHSLD do segundo andar, 1 quarto individual de isolamento (das antigas, com antecâmara e tudo) e 1 individual de psquiatria (com janelinha, portas especiais, tranca externa e todo o kit). Quase todos possuiam banheiro, exceto 1 dos quartos duplos. OBVIO que quando o hospital estava vazio, os pacientes preferiam um quarto com banheiro, mesmo se fosse no quarto de isolamento. Alguns reclamavam que preferiam ficar até no quarto psiquiatrico! Era o grande problema, pois a regra era ocupar os quartos duplos em primeiro lugar, sempre. Organizavamos de tal maneira a deixar quartos privativos, so usavamos como quarto duplo se nao tivessemos mesmo opçao. Em geral tinhamos uns 4 ou 5 pacientes internados ... Parece bobinho como problema, né? Mas tente fazer isso numa comunidade com 3mil pessoas? Todos sabem que o hospital esta vazio e que a **novata da enfermeira** nao colocou o tio-de-Cicrano-e-marido-de-Beltrana num quarto privativo! O plantao começava em geral com esse topico, participavam da passagem de plantao os médicos do hospital (no minimo 3, a cidade possuia 5), o enfermeiro-chefe, a ASI (eram o mesmo enfermeiro-chefe e ASI para todo o CSSS!) e os enfermeiros da noite e da manha. As vezes éramos mais pessoas na passagem de plantao do que pacientes internados! Burocraticamente, durante a manha era o enfermeiro e nao o ASI que tinha que comunicar com a farmacia em Ville Marie, organizar o transporte adaptado, preencher a papelada de rotina ... o ASI (que também era enfermeiro-pivot em oncologia) estava mais como suporte e o enfermeiro-chefe resolvia os grandes problemas de todo o *complexo* (hospital, CHSLD, CLSC, laboratorio, Raio-X, fisioterapia e nutriçao).


Durante a noite a rotina era bem simples. Além de medicamentos e cuidados de base, como oferecer o lanche da noite, ajudar nas trocas de roupa e fraldas e efetuar as mudanças de decubito (nesses dois ultimos procedimentos o enfermeiro da urgência ou o enfermeiro auxiliar do CHSLD me ajudavam = aqui eles priorizam bastante a ergonomia e seguem os principios PDSB, principes de placement sécuritaire des bénéficiaires) eu fazia as fichas de medicamentos pro dia seguinte, organizava os prontuarios, deixava a casa em ordem e ficava de stand-by caso chegasse uma urgência. Como eramos 3 a trabalhar durante a noite (1 enfermeiro na urgência, eu na unidade hospitalar e um enfermeiro auxiliar no CHSLD, que ocupava o segundo andar do prédio) nos revezavamos na pausa noturna, podiamos fazer até 2h de soneca :-) O que era bom, na maioria das vezes as noites eram calmas. Meu horario preferido da pausa-soneca era entre 2 e 4 da manha, mas todos gostavam desse horario, entao a gente revezava. Era bem democratico e as equipes trabalhavam em harmonia!


Quando uma urgência chegava (um telefone vermelho no meio do postinho de enfermagem que tocava desesperadamente nos avisando da chegada da ambulância) o foco do hospital era estabilizar e transferir. E eu ajudava meu colega de urgência, instalando a sonda ou a punçao venosa, colocando os monitores e fazendo as ligaçoes para os técnicos de RX e de laboratorio. Eu nunca fui e nunca serei uma enfermeira de urgência! Nao era incomum pedirem para que eu acompanhasse o paciente na ambulância para os transporte até os centros hospitalares, a viagem mais longa que fiz foi de umas 3,5h até a cidade de Subdury, para encaminhar um caso de IAM. (sim, as pessoas infartam no interior! = e tinhamos a streptokinase à maos!) Mais de 8h de hora-extra ao todo, so com o que recebi nesse dia em me paguei uma boa escapada de fim de semana hehe (hora-extra é 1,5x o valor da hora normal!) .... Eu passo super mal viajando na parte traseira da ambulância, entao antes de sair eu ganhava um Gravol, o pessoal morria de rir com isso. Eu curtia fazer os transfers, era um momento de adrenalina relativamente controlada. Saia com uma prescriçao médica e medicamentos em maos, ja que os techniciens ambulanciers nao podem administrar nada além do que é regulamentado pela lei = Nitro, AAS, Salbutamol, Epinefrina e Glucagon. FELIZMENTE nenhum dos meus transfers **empepinou** e todos chegaram vivinhos da Silva aos hospitais de destino! Andar de ambulância é uma aventura em si, e em estradas de région, a aventura é dobrada!



Eu peguei um **boom** no micro-hospital, chegando a ter 11 pacientes internados, e isso por quase 10 dias! O enfermeiro-chefe e a ASI ficaram doidinhos, nesse periodo eramos, na unidade de internaçao, 3 profissionais durante o dia (1 enfermeiro, 1 enfermeiro auxiliar e 1 PAB) e 2 durante a noite (1 enfermeiro e 1 PAB), ou seja, da-lhe mais e mais pagamento de horas extras! Em région a retençao de profissionais é bem dificil, e o hospital tinha varios enfermeiros de agência, especialmente para cobrir as férias da equipe de urgência. Eles queriam me formar para atuar na urgência, mas minha resposta era sempre *non, non, merci*, aquilo nao era para mim (mesmo sabendo que em région as urgências-urgentissimas acabam sendo raras, em 1,5 anos eu ajudei alguns casos bem dificeis, como um acidente de trabalho que massacrou a perna de um rapaz, um acidente com serra elétrica que cortou um braço ao meio, casos de EAP e IAM e mesmo um caso de drogue du viol. Urgência nao é minha praia, nao mesmo!!)


Trabalhar na unidade de internaçao do micro-hospital era um aprendizado, a medicina rural é bem interessante, eu tive otimas oportunidades de exercitar a tal da *relation d'aide*. Vi pacientes morrerem serenamente, outros em rush. Criei bons vinculos com pacientes e sua familias, vi crises homéricas e brigas de familiares. Acompanhei casos de vizinhos, todos acabavam por se conhecer na cidadezinha. A relaçao com os médicos, com as 2 profissionais de fisio (1 fisioterapeuta e 1 técnica em reabilitaçao),com a nutricionista e com as técnicas de laboratorio e de raio-x era fantastica! Como enfermeira, podia nao ter muitos desafios técnicos, mas tinha enormes desafios humanos. E por isso, até hoje guardo otimas lembranças de Témis e guardamos contato até hoje! 
La recebiamos também estudantes do terceiro ano de medicina, era bem bacana a troca e os estudantes saiam impressionados com a qualidade do atendimento num fim-de-mundo como aquele. O dia-a-dia de uma enfermeira num hospital tao pequeno parece coisa de tevê, onde todos os personagens se cruzam!

E foi em Témis que eu cobri férias no CHSLD, o que rendera o capitulo 4 dessa historinha ....